"E o rubro sol da tua boca ardente

Vai-me a pálida boca desfolhando" (Florbela Espanca)


Teu rosto, meu gosto em viver 

Brilho que reluz vitrais 

No caudaloso rio do teu ser

Antigas dores eu deixo para trás 


Atravessei vales, encruzilhadas, desertos

Pedi respostas aos ancestrais

Agora estamos tão perto

Por todo caminho brotam os teus sinais


Em teu peito tatuagem achei alento

Enleio de leitos colossais

Atmosfera que inunda feito incenso

Fluxo que mata a sede dos matagais


Te leio com profundo sentimento

No livro do tempo em que o destino foi traçado;

Entre fendas, a lança selou o momento

Que ao teu caminho fui lançado


Diáfano ouro dos meus sonhos manchados

Sol invicto que fenece as sombras desiguais

Apaga o contorno dos períodos tristonhos, machucados

Afaga o retorno dos dias vindouros, triunfais

                          

"Solis Ortus Invictus"




Foto: Jacson Lima/ANF


Na sombra do vale onde o vento repousa 

Cada rocha conta uma história

De um passado salpicado de glórias 

Flutuante como asas de mariposa


O arfar dos dias passam entre os ombros

Eu ansiando acordar das noutes infernais

Inda sinto o calor dos escombros

Entre os dedos, teus segredos, matagais


As horas descoram as rosas do vale

Quando da noute a escuridão se aninha 

Murmúrios guturais vindo das rochas 

Vozes ancestrais ao meu redor caminham


Adormeço...


Ao nascer de um novo sol, um arrebol sagrado

Contornado pelo brilho das furnas ogivais

No afago dos meus sonhos mais dourados

Me deparo com enredos colossais


A mesma tinta que pintou a teia do tempo

Bordou a renascença de uma longa caminhada 

Refletindo alento ao ensinamento

A sombra protege a nossa primeira morada 



Jal Vasconcelos